O dia em que a surdez salvou minha vida.

Era pra ter sido mais um dia típico, uma segunda-feira típica de aula, trabalho, aula, trabalho, aula. Mas não nesse segunda-feira, não nesse dia 25/04. Uma sucessão de acontecimentos desencadeariam no ápice da noite/dia: o quase assalto. Desde a hora que sai do trabalho eu senti alguma coisa, 18h, quase ninguém lá e um paredão todo pra enfrentar pra pegar o ônibus numa parada escura. Quando eu sai eu já pensei, como sou doida, sair sozinha de mochila, naquele escuro todo pra ir pra uma parada escura, mas eu fui acho que o fato de não ter ninguém me esperando me tirou o medo das coisas.

Então eu sai do trabalho, andei pelo breu por 5 minutos, sempre olhando para trás a espera do meu caçador de celular. Na travessia para parada, novamente o pensamento essa rua é tão perigosa, eu já corri tanto por esses carros, um deslize e vai biazinha para todos os lados. Algo me impulsionava a continuar e eu fui, na parada outra indecisão pego qualquer ônibus ou espero o meu na parada escura? Esperar na parada escura por 20 minutos me parecia melhor opção do que gastar dinheiro com duas passagens, então eu fui. Não esperei, peguei qualquer um para um destino mais movimentado.

Meu destino não estava tão movimentado assim, não sei se por conta que era uma segunda ou qualquer outra coisa, mas tava diferente. Então do nada um cara, me para, pega na minha mão fala de nossa senhora do perpétuo socorro e bla bla bla 25 centavos, imediatamente coloquei a mão no bolso e tirei as poucas moedas que tinha.

No ônibus outra dúvida, desço no centro e vou pela Antonio Pompeu ou no Benfica e coloco crédito? Venceu a primeira opção e assim fui. Mais uma vez sem pensar, ou melhor pensando/chorando as coisas que sempre penso, que iria pra casa e não teria ninguém etc. Desci no centro, outra vez um cara me parou e imediatamente tratei de segurar minha bolsa, com medo de que levassem a bichinha junto com toda minha vida diária. Pobre rapaz só queria uma informação e eu gentilmente cedi.

Na rua do quase assalto, uma breve pausa para analisar o território, tudo escuro novamente e a sensação de ter que ir, seguir em frente e eu fui. No meio do caminho dois caras numa moto começaram a falar comigo e eu sinceramente não entendi nada, apenas repetia: Hã? Não tô entendendo! Por um instante eu pensei em parar, talvez eles quisessem informação como o anterior ou talvez me “abençoassem” como o primeiro. Foi quando eu olhei pra eles e percebi no fundo dos olhos que eles queriam na verdade era meu celular, quando entendi a mensagem olhei pra frente pra ver se via alguém e avistei uma moça com algumas crianças, pensei que ela fosse me salvar mas que engano ela percebendo a situação imediatamente voltou para onde saiu.

Os assaltantes desistiram de se fazer entender, poderiam ter me dado um tiro nas fuças ou me arrastado pro escuro, ou qualquer outra coisa e assim como eu eles aceleraram a moto e deram as costas e foi assim que minha surdez me salvou.

 

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Sobre annateixxeira

Alter ego de uma recém-casada [riscar] , [riscar] empregada e futura formanda. Criei um blog para contar minhas histórias de estudante, casada e futura formanda, agora escrevo minhas histórias de separada e graduada.
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