A casa.

Uma casa foi construída há 11 anos atrás. Tudo começou pela escolha do terreno, os donos avaliaram muito bem essa escolha. Será que esse terreno era bom? Será que daria frutos? Será que os donos conseguiriam manter a mesma filosofia por anos? Decidiram os donos tentar e assim foi. Por anos o terreno foi moldado, arenado e adubado…entre risos, histórias, gozos, lágrimas e principalmente amor. Aquele terreno exalava amor por todas as partes e todo mundo sabia disso.

Mas a natureza é imprevisível e o destino também. E vieram as tempestades, furacões e reviraram todo o terreno. Os donos estavam perdidos, o dono mudou, a tempestade o mudou e os furacões também, só que isso a dona não percebeu.

Então eles seguiram a construir a casa. E assim como o terreno ela tinha muitas histórias, muitas alegrias, tristezas, lágrimas, gozos, risos. O dono não era mais o mesmo e a dona agora já sabia, mas fingia não se importar. Ela achava que depois que a casa estivesse pronta tudo iria mudar. E começaram a colocar pedra por pedra as paredes, o telhado, o reboco, o forro etc. Mas essas mesmas paredes tinha infiltrações e os donos nao perceberam, a estrutura embora de boa qualidade tinha suas deficiências e a dona não percebeu. Ainda assim seguiram, colocando pedra por pedra, entre risos, lágrimas e histórias. Talvez pouca gente saiba, mas muitos fizeram parte dessa casa: Marias, Joãos, Alices, Anas, Diegos, etc.

E finalmente terminaram a casa. Linda por fora, linda por dentro e os donos felizes por terem concluído a tarefa estavam prontos pra morar, mas o dono, o dono estava diferente e a dona já não fingia mais não se importar. Começaram a mobiliar ou pelo menos tentaram, tudo simples e de bom gosto. As marcas das tempestades estavam lá e os donos sabiam, a dona sabia. Ela sempre sabia de tudo, ela sentia, ela notava. A diferença era que não importava mais. Só que a natureza é imprevisível e mais uma vez tempestades e furacões invadiram a casa, o terreno e a vida dos donos. Tão forte quanto da outra vez e tão devastador que derrubou as paredes e tudo mais que tinha dentro da casa recém mobiliada. Mas os donos, eles não se abalaram. A dona já esperava o furacão pois ela sempre sabia, sentia e notava. Foi então que ela percebeu que o dono nunca foi quem ela pensava. E a tempestade não mudou o dono, apenas mostrou quem ele realmente era.

Para o dono já não era suficiente as paredes daquela casa, elas já não o prendiam mais e a dona embora soubesse disso não entendia como alguém poderia em sã consciência querer sair da casa. Aquela casa era a melhor casa que eles podiam ter construído, a dona deu o melhor de si para aquela casa e o dono se esforçou o quanto pode para ficar nela.

De repente mais gente ficou interessada na casa e nos donos e começaram a fazer parte dela também. O dono gostava dessa gente, ele amava a companhia, a alegria e o jeito meio “estranho” dessa gente. De alguma forma o  encantava e ele se encanta fácil pelo simples, belo, puro e singelo mas que  no fundo tem uma força inacreditável. E a dona? Ela sabia, sentia, notava, ela sempre soube de tudo.

Até que a casa outrora feliz, passou a ser triste, vazia, seca. Não importava mais ao dono ficar nela, as paredes já não eram suficientes e ele como dente de leão que se transformou ia atrás da “gente”, enquanto isso a dona permanecia na casa sozinha esperando o dono dente de leão voltar. E ele voltava só que cada vez mais dente de leão e menos dono da casa. A solução era simples mas os donos não queriam abandonar a casa que construíram por tanto tempo.

Um dia a dona saiu da casa, porque ela percebeu que o dono não pertencia mais a ela, nem à dona nem à casa. Foi difícil abandonar a casa, foi impossível não chorar pois fora tanto tempo, amor, carinho e dedicação que a dona investiu nessa casa que ela não mal conseguia acreditar. E o dono ficou….

Hoje a casa não existe mais, o terreno não rendeu os frutos que os donos esperavam e as paredes não foram fortes os suficiente para sustentar tantas tempestades, furacões e tanta gente. Os donos foram embora, primeiro ela e depois ele e o local ficou em ruínas guardando a história e todas as memórias dos donos. Ninguém visita mais a casa, ela já não é bela como antes e não exala amor e felicidade. A casa morreu com o tempo, com a dor e as lágrimas. E o dono? O dono não é mais dono, ele é dente de leão e assim como todos eles, não tem casa.

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Sobre annateixxeira

Alter ego de uma recém-casada [riscar] , [riscar] empregada e futura formanda. Criei um blog para contar minhas histórias de estudante, casada e futura formanda, agora escrevo minhas histórias de separada e graduada.
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